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Projectos

Império

A reinvenção da ideia de Império colonial foi um dos mais ousados projectos do século XX português.

Plasmada no acto colonial do Estado Novo de 1930, que estabeleceu ser “da essência orgânica da Nação Portuguesa desempenhar a função histórica de possuir e colonizar domínios ultramarinos e de civilizar populações indígenas...”, essa reinvenção ultrapassou, em muito, a dimensão legislativa ou administrativa.
Entre 1930 e 1945 o regime de Salazar envolveu-se de maneira fervilhante na transformação de uma Nação pobre e pouco populosa, possuidora de colónias economicamente inviáveis onde tinha presença reduzida, numa Nação com desígnio imperial. O projecto deu ênfase à sua dimensão ideológica: convencer cada português e o próprio aparelho de Estado de um destino que o regime assegurava fazer parte da essência nacional.

Foi uma batalha travada em diversas frentes – nas iniciativas e publicações da Agência Geral das Colónias, na criação e participação em Exposições Coloniais (Porto 1934 e Paris 1939), no sistema educativo, nas acções do SPN/SNI, na Exposição do Mundo Português de 1940, nas campanhas do Património, no Cinema, Artes Gráficas, Escultura, Arquitectura e Urbanismo – e que reflectia uma visão particular sobre o indígena e o negro, o darwinismo social, a miscigenação e a História e o papel do Português no Mundo.

“Império” é a história da invenção de uma ideia, mas também da sua morte.  Memorial de uma ideia, dos seus protagonistas e do seu mundo. Império, sonho do Estado Novo, que na realidade nunca o foi.

fotografia: Mário Novais / Biblioteca de Arte Fundação Calouste Gulbenkian